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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O Nosso Agregado Familiar 31.12.2010

A Saúde...é minha convidada,
Mora neste lugar.
Por vezes, foge, assustada,
Não quer regressar.
Eu peço muito,
Rezo atordoada,
E sem contar,
Ela retorna ao lar.

O Amor...é meu convidado,
Mora neste lugar.
Por vezes, sai, zangado,
Evita falar.
Eu vou lá buscar.
Embora, amuado,
Volta a entrar.
Digo-lhe "É este o teu lugar!"
Num beijo sinto-o amar.

A Tranquilidade...é minha convidada,
Mora neste lugar.
Tem dias, em que, acanhada,
Esconde-se, a chorar.
O desespero é grande
E tudo a perturba.
Continuo a procurar.
Mostro que a quero,
Que tem de lutar.
Com calma aparece,
Sorrindo, liberta,
Vem me abraçar.

A Fé...é minha convidada,
Mora neste lugar.
Chegou para ficar,
Tímida e calada,
Nem damos por ela.
Por vezes, sem a notar
E de mundo embriagada,
Esqueço de alimentar.
Mas quando preciso,
Ela dá-me aconchego
E mimando-me...
Deixa-se estar.

É este o nosso agregado familiar.

(de  Conceição Sousa )


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ocupados com o "nada"

Andamos todos demasiado ocupados
 com o "nada"
 para escutar o grito de desespero
 do "estar",
 por vezes, do nosso...
podemos estar rodeados
 de mil e um afazeres,
de mil e uma pessoas...
é quando a "noite" cai,
 que a solidão e o vazio
 nos servem de lençóis .
 De que vale o existir,
 se um gesto de afago,
 quando dado,
não se deixa afagar ?
De que vale o "estar"
 se há tanta falta de "toque"
 no amar?
 É só um instante,
 parar de "nadar"...
 e direccionar
 das aparências a época
 para a real vontade
de autenticar o amar.
 Haja mar !

(de Conceição Sousa )

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Shooting star by Conceição Sousa


Upon shooting stars I look
Wishing them to be quiet and still
Wondering where is my Captain Hook
Longing to say what I truly feel
Disappointed I keep asking myself
Whether my "being" is an awkward one
Lately all seem to put me on a shelf
Or accusing me of wrongly done
The black hole opens before the existence
Inviting her to jump into sleep
Temptation is huge and hard the surveillance
Of fighting for justice...it's just a leap...

(by Conceição Sousa)

domingo, 26 de dezembro de 2010

Heart Loan by Conceição Sousa

Senses is she in the valley of shadows
Touching her bones and mighty deep scars
Aching the pains of the dead in the meadows
Sewing the thread of life up till Mars
Ashes in forests she finds all alone
Home is a concept completely awaken
Endeavours the spirit of a heart loan
Light and magic are spread and mistaken
Enchantment arises in a full Moon
Neverending stories are coming soon
Characters mischievous enlighten the power
Hosts are considered, in hotels remain
Respectful leaders speak up in the tower
Inflicting confidence the love they sustain
So now she believes, and frightens her pain.


( by Conceição Sousa)

sábado, 25 de dezembro de 2010

Desengane-se 25.12.2010

Desengane-se quem pensa
Que estamos aqui por acaso
Em tudo se observa presença
Do ser que nos dá o braço.
As pontas outrora soltas
Juntam-se na perfeição,
Era preparado o caminho
E dele nos mostra a mão.
A dor tem uma lógica
Que aguarda percepção,
Há que ter paciência
Um dia será a hora
Da devida compreensão.
A cruz e os espinhos
Fazem parte da demanda
Sem sofrimento que doi
Imperceptível é a estrada
E o Amor não entra nem sai.
Há um fado traçado
Um tempo destinado
Ao amadurecimento...
Do verde ao amarelo
Retém-se o momento.
Mas aquele que sabe
Está sempre lá
Vê sem ser visto
Por vezes, mostra-se cá.
E as portas vão se abrindo
Tudo fica mais claro
Tranquilos compreendemos
A lógica do existir.
O Amor que nos faz falta,
Que tanto nos permite sorrir
É uma pequena amostra
Da alma a eternidade,
E a prática do Bem
É a única verdade.
Eco e Reflexo
Som e Espelho
O que damos ao universo
Regressa, mesmo velho.
Mais dia, menos dia
Cá ou lá
Vivos ou mortos
O retorno teremos,
E neste ciclo luz/sombra
Encaixaremos.
É como um parto
E as dores menstruais
Tanto receio temos
Do momento da parição,
Mas quando chega a hora
Descobrimos perplexos
Que dessa já tínhamos laivos
Não é assim tão complexa.
E o receio apaga-se
Dá lugar à felicidade
À bênção de um nado
Ao Amor gerado.
Tudo o que dói tem sentido
Esse o de gerar Amor
É só ser um pouco paciente
E aguardar Dele o sabor.

(de Conceição Sousa )

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Lançamento do livro "Eu ou Ela ?" em 15.12.2010

Foi, está a ser, é e será... um momento inesquecível !
Obrigada a todos aqueles que me brindaram com a sua presença !
Espero ter correspondido às expectativas.
Com carinho
Conceição Sousa.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

"Penso que minto" 31.08.2010

Choro o remorso de um egoísmo nato,
Sangro na iminência do derradeiro acto.
Esboço um sorrir em memórias com cheiro,
Penso que minto quando conto por inteiro.
Pormenorizo em detalhe a questão adiada,
Consinto no ponto a resignação datada.

Pedes-me con(dor) um beijo de fé,
Mimas teus lábios em jeito de até .
Atreves a dúvida em súplica existencial,
Silencias-te conceito e descobres-te mortal.
Confrontas-te humilde anjo perdido,
Atemorizas um adeus em aceno contido.

Busco alento no olhar apagado,
Amo a infância no corpo cansado
Exijo-a de volta, de regresso à lida
Sonho-a feliz e repleta de vida.
Anseio o divino, o milagre do bem
Rezo, segundo (a segundo), (a)o ventre de minha mãe...


 ( de Conceição Sousa )

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

"Francisco" in "Eu ou Ela?"

Premiaste o universo com tua semente
Abalaste o deserto a caminho do ventre
Usurpada escorregas na dor do insano
Lastimas a usura do sonho profano
Aceitas o fado abraçando o menino
Libertas o estado em defesa do mimo
Uivas solene no teu eremítico recanto
Rematas o torpor que te causa o pranto
Divagas confusa longas horas a fio
Esqueces-te de ti e matas o temido cio
Síndrome de Down dizem-te com desdém
Amparas a angústia do que aí vem
Respeitas a mente do corpo franzino
Mudas as fraldas moendo o destino
Ajeitas  a roupa em teu nado crente
Nomeias palavras em ânsia demente
Desdenhas olhares vidrados  ferida
Abandonam teu filho com ar de fingida
Contemplas perdida teu rosto de mãe
Ofereces em manto invisível teu bem
Numeras os dias, os meses, a lua e o chão
Confortas  demais quem come teu pão
Enfeitas nosso mundo de paz e amor
Imerges no lago do acaso  em suor
Cativas teu filho em calor desprendido
Aluis perante ele e seu sorriso querido
Oras sua existência e agradeces a data
Em que foi concebido e to deu a bata!

(de Conceição Sousa )

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ode à Mulher in "Eu ou Ela ?"

Simples, contida é esta mulher
Ama a vida e sabe o que não quer
Levanta o ânimo dos que a escutam
Enfrenta o pânico daqueles que lutam
Tece o bem em linha de renda
Testa o desdém de quem está à venda
Emenda, emenda e emenda...
Atura paciente a dor alheia
Remata contente na hora da ceia
Morde a injustiça e apega-se às letras
Age sem pena, não tolera tretas
Nasce a cada dia, embora sempre lá
Duvida por norma, mas permanece cá
Acalma, acalma e acalma...
Nada como peixe no rio do dó
Anima assim mesmo na garganta o nó
Tudo sonha e tudo perde
Aspira o chão mas até esse cede
Lastima a vida que não teve
Inflige nos queixosos o poder da resistência
Ataca, ataca e ataca a neurótica anuência
Afasta íntegra o lado negro do estar
Lança de luva branca o verbo amar
Inspira, na perfeição, o dar a outra face
Canta alegre os momentos em que renasce
E cresce, cresce, cresce...
Encaixa o dom de saber ser
Lapida no espírito um toque de mulher
Intui no porte daquele que sabe
Sofre pelo outro sem fazer alarde
Actua, actua e actua...
Cativa pela constância do doce lidar
Usurpa o trabalho que não quer o par
Sustenta no doméstico  a aura do coração
Torce o estendal da eterna devoção
Oferece a mão-de-obra no aspirar da alma o pó
Desvenda no brunir um acarinhar do que está  só
Incrusta no espírito a receita do incondicional Amor
Amamenta, amamenta e amamenta todo o tipo de dor...

( de Conceição Sousa)