Para quem respira... nem que seja um pequeno sopro. Eu ainda respiro logo sonho... Ainda que doa ao doer, doa mais ao doar: doa-te.
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Há uma linha de vida
Há uma linha de vida (boas, más, mais ou menos boas e más experiências)
que nos leva a algum lugar.
Há uma linha de vida (de sorrisos, de choros, de gargalhadas, de lágrimas,
de disparates e de loucura, de serenidade e comedimento)
que nos conduz àquele lugar.
Há uma linha de vida traçada, compreendida pouco-a-pouco,
sonhada, perdida, reencontrada, desistida, resgatada,
que nos coloca, com precisão, naquele ponto específico.
Há uma linha de vida solitária, partilhada, escondida, mostrada,
sofrida, cantada, que nos traz (passo a passo, receio a receio, arrojo a arrojo,
alegria a alegria, tristeza a tristeza, vitória a vitória, derrota a derrota,
dor a dor, celebração a celebração, furor a furor) a este estar - o de agora.
Saboreia o que tiveres de saborear. Ama o que tiveres de amar.
Dá-te, em vida, na tua linha de vida: dá o que tiveres de dar.
Há uma linha de vida que tem de continuar: as de morte acabam por,
na linha de vida, se acabar: ficam onde têm de ficar ( lá: no passado);
e servem para o que servem: a linha de vida fazer avançar.
Há várias linhas de vida, dentro da tua linha de vida, que te acenam e te sorriem.
Há várias linhas de vida, dentro da tua linha de vida, que te acompanham e orientam -
muitas vezes, de tão aliciantes, até te fazem sofrer,
sem no entanto da principal linha te levarem a perder.
Há várias linhas de vida, dentro da tua linha de vida, que te beijam e te abraçam
(dizem um "olá" e , de imediato, acenam um "tchau");
não percorrem contigo a tua linha de vida: desistem-te;
mas marcam para sempre um sorriso no teu coração - até àquele ponto finito de luz:
o início da escuridão ( ou doutra coisa qualquer por dentro da visão)
(de Conceição Sousa)
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
estas letras
estas letras são feridas contadas vertidas
na ausência com que, sufocado, me gritas;
são chagas caladas nas mãos vestidas
pelo silêncio com que me cortas os calos;
são sulcos despidos de tinta lacrada
no toque vadio de sangue no estar;
são irrefutável prova de vivência
na decadência do sempre que dorme sem par.
estas letras são lágrimas caiadas de branco
no espaço vazio por entre o negrume dos símbolos;
são marcas indeléveis de água sem espelho
na verdade escondida do mundo;
são passos atrevidos renegados na ousadia
suada entre a vida e a morte: hora;
são proibido arfar e choro arrastado
da alma vítrea- que em ser amada se demora.
estas letras são fio constante da navalha
no peito o encalço do crente amor;
são coragem vencida na cruz desistida
de amar-te, senhor: ai! que dor!
são poço de mágoas contidas no ar denso
que atravessa todos os ríspidos desertos;
são monção contínua, avalanche de terra crua
na cascata dorida do coração que te sente perto.
estas letras são, na minha vida, oração ao tempo
e, fora dela, sentida entoação: pedaço de ti em mim:
rasgo do momento.
(de Conceição Sousa)
Dois
Não me falas – e, ainda assim, sei que me amas.
Não me tocas – e, ainda assim, sei que me choras.
Não me crês – e, ainda assim, sei que me gemes.
Não me vês – e, ainda assim, sei que me queres.
Não me marcas – e, ainda assim, sei que me sentes.
Não me sabes – e, ainda assim, sei que te dóis.
Dois – ainda assim, é o número que nos sei agora,
antes e depois: dóis-me.
Sei que, algures, no tempo –
entre um espaço que, por não se mover,
se move,
e um ar do Criador que, por não se mostrar,
se mostra –
tu e eu seremos nós: dóis.
O nós, que nos sei, não será a sós.
Não será só “ch”,
não será só silêncio.
Será infinito de palavras na alma,
o eu acompanhado do tempo,
de Deus momento: verdade no sentimento.
Amo-te, em mim, seres meu, e em ti,
com o devido tempo: dois sem véu.
(de Conceição Sousa)
Não me tocas – e, ainda assim, sei que me choras.
Não me crês – e, ainda assim, sei que me gemes.
Não me vês – e, ainda assim, sei que me queres.
Não me marcas – e, ainda assim, sei que me sentes.
Não me sabes – e, ainda assim, sei que te dóis.
Dois – ainda assim, é o número que nos sei agora,
antes e depois: dóis-me.
Sei que, algures, no tempo –
entre um espaço que, por não se mover,
se move,
e um ar do Criador que, por não se mostrar,
se mostra –
tu e eu seremos nós: dóis.
O nós, que nos sei, não será a sós.
Não será só “ch”,
não será só silêncio.
Será infinito de palavras na alma,
o eu acompanhado do tempo,
de Deus momento: verdade no sentimento.
Amo-te, em mim, seres meu, e em ti,
com o devido tempo: dois sem véu.
(de Conceição Sousa)
Queres?
Queres mesa? Não há pão
nem dinheiro que aguente a despesa.
Queres banho? Não há água
nem trabalho que fortaleça o rebanho.
Queres roupa? Não há tecido
nem emprego que o faça ao despido.
Queres posto? Não há firma
nem patrão que te tire o desgosto.
Queres saúde? Não há corpo
nem compressa que obedeça de graça.
Queres luta? Não há espírito
nem arremesso que ta barre: confesso.
Queres paz? Não há sossego
nem vivência que te brinde nessa cedência.
Queres sucesso? Não há obra
nem caminho que to permita de sobra.
Queres amor? Não há alma
nem vontade que o traga perante tanta dor.
Queres vida?
Quando tudo o que vês e sentes é existência perdida?
Faz-te: na adversidade.
Faz-te ser que se exige dono do seu tempo.
Faz-te alma no agora de si:
destemida verdade no recorte do momento.
(de Conceição Sousa)
nem dinheiro que aguente a despesa.
Queres banho? Não há água
nem trabalho que fortaleça o rebanho.
Queres roupa? Não há tecido
nem emprego que o faça ao despido.
Queres posto? Não há firma
nem patrão que te tire o desgosto.
Queres saúde? Não há corpo
nem compressa que obedeça de graça.
Queres luta? Não há espírito
nem arremesso que ta barre: confesso.
Queres paz? Não há sossego
nem vivência que te brinde nessa cedência.
Queres sucesso? Não há obra
nem caminho que to permita de sobra.
Queres amor? Não há alma
nem vontade que o traga perante tanta dor.
Queres vida?
Quando tudo o que vês e sentes é existência perdida?
Faz-te: na adversidade.
Faz-te ser que se exige dono do seu tempo.
Faz-te alma no agora de si:
destemida verdade no recorte do momento.
(de Conceição Sousa)
Ao alcance
Tenho sempre aquela sensação
de que estou a viver uma vida
que não é minha;
e, por muito que faça,
não consigo agarrar a minha vida de verdade.
Vejo-me, ali, ao meu alcance -
não compreendo porque é que ela
(tão bonita, tão meiga, tão inteligente,
tão ponderada, tão insana, e tão amada - dizem)
não consegue ser feliz:
não consegue sentir-se em sintonia com a sua vida.
(Conceição Sousa)
de que estou a viver uma vida
que não é minha;
e, por muito que faça,
não consigo agarrar a minha vida de verdade.
Vejo-me, ali, ao meu alcance -
não compreendo porque é que ela
(tão bonita, tão meiga, tão inteligente,
tão ponderada, tão insana, e tão amada - dizem)
não consegue ser feliz:
não consegue sentir-se em sintonia com a sua vida.
(Conceição Sousa)
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
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