Para quem respira... nem que seja um pequeno sopro. Eu ainda respiro logo sonho... Ainda que doa ao doer, doa mais ao doar: doa-te.
Número total de visualizações de páginas
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Vejam, enquanto podem
"Um dia, meus belos e luminosos olhos já nada segurarão.
Um dia, já não verei as nuvens apressadas, lá no alto, escaparem,por entre os dedos de Deus, e beijarem o azul quente de todos os Céus.
Um dia, já não contemplarei a doce brisa a abraçar as rabugentas folhas, que se amam na ramagem densa multicolor, e se perdem e encontram quebradas no banco dos réus.
Um dia, as minhas íris, em vermelho possessas e ramificadas, já não vislumbrarão os açoites da chuva que queimam na pele; nem conseguirão perdoar ao ríspido vento, o que empurra o corpo cansado, e o obriga a avançar no gelo soprado - sabor que escorrega de vida neste papel que me foi destinado.
Um dia, já não terei a visão de ti no meu pensamento, pois, por muito que tente, meus olhos já nada serão senão pó do tempo.
Um dia, já não serás luz cá dentro; toda e qualquer escuridão que possa daí, agora, advir - perto da que está por vir (supõe-se)-, nada mais será do que fugaz e belíssima recordação do já morto momento.
Por isso, meus olhos de agora - os que conheço e estão -, enquanto podem, captem, e intensamente, todo e qualquer movimento (bom ou mau) a ocorrer - na paisagem que vos sente, entende e dá prazer. Vejam! Sejam! Chorem! Sorriam! Demorem-se...Pisquem!Abram!Fechem!Estagnem! Rebolem! - soltem a meiguice do que vos habita dentro! Libertem o ser que vos faz sentir, a cada segundo, o presente. Amem: até que , por fim, vos tapem e roubem de tudo o que vos sente."
(Conceição Sousa)
Esta noite será doce.
Esta noite, apetece-me ser doce - doce como o algodão;
macio como deveria ser um qualquer coração, numa qualquer ocasião.
Qual quer?
Quero aquela - aquela alma em geleia barrada. Quero prová-la.
E àquele corpo cansado - aquele que escorre e escreve mel....
Esta noite, apetece-me ser doce - doce no sabor dorido em que me tens, meu amor;
doce no sussurro de te amar,
e de (suspiro após suspiro, sorriso após sorriso, em todo este ar que me envolve e é meu -
e que ainda respiro) te perguntar se vens...
Doce, meu amor. Doce é o meu, de ti, retiro. Vens?
(de Conceição Sousa )
sábado, 31 de dezembro de 2011
Há pessoas.
Há pessoas desviantes do que tu és; há pessoas condizentes com o que tu és - mas ninguém é como tu és; há pessoas. É certo que umas não olham a meios para atingir os fins - só porque os seus fins são o que pensam ser a vida: perdoa-lhes. Por certo, conseguirão ser felizes - supõe-se... também é certo que há mais pessoas ainda a abdicar dos fins (esses que deixam de ser vida) em prol dos meios, e das belíssimas almas que encontram nos trajectos - isso, sim: é vida. É certo que nos cruzamos, a toda a hora, mais à frente ou mais atrás; vacilamos perante a novidade - que quando deixa de ser novidade é verdadeiramente vista -, azedamos face à rotina (que ao ser esvaziada do que é -rotina-, deixa uma saudade de morte - da própria rotina), comunicamos nas nossas mais diversas formas de ser e de estares. Também é certo que a essência - a verdadeira essência -, essa: não muda. Pode , a dada altura, adormecer deslumbrada de si própria; ou, até mesmo, acordar eufórica num outro patamar (que não o seu), mas, na verdade, não muda. Quem o diz? O tempo. O tempo, se lhe deres tempo, diz-to : bem na tua cara. E ainda bem. Os meus votos de um bom retorno a ti próprio - e àquilo, ou ao alguém, que te faz verdadeiramente feliz.
(Conceição Sousa)
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
o amor que (des)conheço
Não conheço o amor de pai,nem tão-pouco o amor de mãe...
a vida assim o quis - que não os conhecesse;
mas conheço o amor da vida -
esse, que fez com que eu acontecesse.
O amor que, todos os dias, me rasga a alma,
no raio de sol que espreita e me penetra, logo pela manhã;
o amor que, a toda a hora, me lambe a pele,
de pata ofegante no ar, junto ao sofá;
o amor que, sem perda de tempo, me molha o corpo,
ao escutar as lágrimas que caem do Céu;
o amor que, a cada segundo, me gela a tez,
no beijo que entra pela frincha da janela,
e me faz gostar de mim (assim),
tal como Deus me fez.
(de Conceição Sousa)
sábado, 24 de dezembro de 2011
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
O lado de fora
Habituada que estou a olhar para dentro
mal noto o que vai do lado de fora
embora pressinta que neste momento
é tida a vontade e dela se fez hora.
Levantem-se as pálpebras bem devagar
percorram andando neste silêncio
são épocas para mim a olhar
segundos marcados no tempo.
Figuras de alma entrelaçada
papel em mudos retratos
sussurram baixinho...não são ouvidos.
Parecem outros, dizem algo
que não compreendo e é importante
murmuram lá longe, ecoam distante.
Vida própria reclamam -o dedo
apontam à minha presença.
Exigem voltar lá, é sua a sentença.
Tantas as vozes que me observam...
Receio seus rostos, tenho medo.
O nada vagueia neste quarto
emite o som do desassossego
nos livros letras borbulham
anseiam a página aberta
aguardam sua vez de contar
a história, que não lida, é deserta.
Bonecas de porcelana altivas
escondem tristeza no espartilho
chapéus emplumados em destreza
combinam ao requintado vestido.
Reclamam um baile encantado
numa época de pura etiqueta
exibem no cabelo ondulado
a aura da original vedeta.
O menino de braços abertos
oferece o espírito da paz
a senhora de manto lilás
com ele mantém conversa
e o baú fechado desperta
memórias em cheiro de pinho
embora pareça acorrentado
em tempos provou o vinho
da liberdade em pano amparado.
Apenas dois quadros na parede
o epicentro desta vã realidade
seguram-se às iniciais contidas
unidas pela voz do abade.
O frio começa a apertar
as sombras a segredar
por ora chega de olhar
para o dito lado de fora...
(de Conceição Sousa)
mal noto o que vai do lado de fora
embora pressinta que neste momento
é tida a vontade e dela se fez hora.
Levantem-se as pálpebras bem devagar
percorram andando neste silêncio
são épocas para mim a olhar
segundos marcados no tempo.
Figuras de alma entrelaçada
papel em mudos retratos
sussurram baixinho...não são ouvidos.
Parecem outros, dizem algo
que não compreendo e é importante
murmuram lá longe, ecoam distante.
Vida própria reclamam -o dedo
apontam à minha presença.
Exigem voltar lá, é sua a sentença.
Tantas as vozes que me observam...
Receio seus rostos, tenho medo.
O nada vagueia neste quarto
emite o som do desassossego
nos livros letras borbulham
anseiam a página aberta
aguardam sua vez de contar
a história, que não lida, é deserta.
Bonecas de porcelana altivas
escondem tristeza no espartilho
chapéus emplumados em destreza
combinam ao requintado vestido.
Reclamam um baile encantado
numa época de pura etiqueta
exibem no cabelo ondulado
a aura da original vedeta.
O menino de braços abertos
oferece o espírito da paz
a senhora de manto lilás
com ele mantém conversa
e o baú fechado desperta
memórias em cheiro de pinho
embora pareça acorrentado
em tempos provou o vinho
da liberdade em pano amparado.
Apenas dois quadros na parede
o epicentro desta vã realidade
seguram-se às iniciais contidas
unidas pela voz do abade.
O frio começa a apertar
as sombras a segredar
por ora chega de olhar
para o dito lado de fora...
(de Conceição Sousa)
Subscrever:
Mensagens (Atom)


