Quando sentir que já não mais precisas de mim,
abandono-te
para resgatar a outra desabrigada, nua e desertada,
naquele sítio ermo,
bem lá atrás.
Se não for eu a socorrê-la,
sei,
não terá a sorte que tu tens:
a de teres alguém que
quando sentir que já não mais precisas,
abandonar-te-á.
(Conceição Sousa)
Para quem respira... nem que seja um pequeno sopro. Eu ainda respiro logo sonho... Ainda que doa ao doer, doa mais ao doar: doa-te.
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
estalactite
Construímos o nosso elo descalço,
a caminhar sob estalactites.
Todos sabem que é uma questão de tempo,
quando se trata de alicerces num céu de gelo.
É uma questão de tempo.
A dúvida é saber qual dos lados quebrará -
onde surgir o primeiro calor, amor.
(Conceição Sousa)
a caminhar sob estalactites.
Todos sabem que é uma questão de tempo,
quando se trata de alicerces num céu de gelo.
É uma questão de tempo.
A dúvida é saber qual dos lados quebrará -
onde surgir o primeiro calor, amor.
(Conceição Sousa)
Preciso
Preciso de quem goste verdadeiramente de mim.
Preciso de alguém que não me coloque no fim da lista, mas sim num dos lugares de topo.
Preciso de quem me tenha na lista - e em lugar cimeiro.
Preciso de quem sinta e saiba que, mesmo depois de me ganhar, pode, num instante, me perder.
Preciso de alguém que tema esse momento,
alguém que me conheça como as palmas do coração,
que não veja nas sucessivas cedências e oportunidades
a garantia do eterno ( mas sim o sossegar da consciência
de que tudo, mesmo tudo, foi tentado)
e que não duvide que quem tudo dá e entrega,
na hora da desilusão,
tudo tira e nega.
Preciso de alguém que me saiba conquistar todos os dias,
se é todos os dias que comigo quer ficar.
Na iminência de te deixar, querido,
no sempre e para sempre.
(Conceição Sousa)
Preciso de alguém que não me coloque no fim da lista, mas sim num dos lugares de topo.
Preciso de quem me tenha na lista - e em lugar cimeiro.
Preciso de quem sinta e saiba que, mesmo depois de me ganhar, pode, num instante, me perder.
Preciso de alguém que tema esse momento,
alguém que me conheça como as palmas do coração,
que não veja nas sucessivas cedências e oportunidades
a garantia do eterno ( mas sim o sossegar da consciência
de que tudo, mesmo tudo, foi tentado)
e que não duvide que quem tudo dá e entrega,
na hora da desilusão,
tudo tira e nega.
Preciso de alguém que me saiba conquistar todos os dias,
se é todos os dias que comigo quer ficar.
Na iminência de te deixar, querido,
no sempre e para sempre.
(Conceição Sousa)
Sabia
Sabia que não haveria momento igual aquele,
o instante em que uma mulher madura
percebe que um amor limpo -
de sua exclusiva escolha,
sem laços de sangue,
nem de vínculos,
nem de experiência de horas somadas,
ou de locais partilhados -,
um amor embaraçado,
acena o adeus no sorriso cerrado.
Sabia que, dali em diante,
de cada vez que o visse,
de cada vez que o lembrasse,
a lágrima funda da cumplicidade não se esconderia
perante aquele rosto,
e a mágoa na voz do silêncio
amordaçada no nó do tempo
embaciaria ainda mais a menina agigantada
por detrás dos olhos.
Sabia que aquela pessoa era a única
no vácuo da existência
a compreender quem ela era -
e a forma como se despiam,
em frente um ao outro,
até de pele,
mesmo com todos os agasalhos de inverno ainda no corpo,
de cada vez que se olhavam,
não permitia outra palavra
senão o gemido húmido e salgado do tempo:
sempre a lágrima.
(Conceição Sousa)
o instante em que uma mulher madura
percebe que um amor limpo -
de sua exclusiva escolha,
sem laços de sangue,
nem de vínculos,
nem de experiência de horas somadas,
ou de locais partilhados -,
um amor embaraçado,
acena o adeus no sorriso cerrado.
Sabia que, dali em diante,
de cada vez que o visse,
de cada vez que o lembrasse,
a lágrima funda da cumplicidade não se esconderia
perante aquele rosto,
e a mágoa na voz do silêncio
amordaçada no nó do tempo
embaciaria ainda mais a menina agigantada
por detrás dos olhos.
Sabia que aquela pessoa era a única
no vácuo da existência
a compreender quem ela era -
e a forma como se despiam,
em frente um ao outro,
até de pele,
mesmo com todos os agasalhos de inverno ainda no corpo,
de cada vez que se olhavam,
não permitia outra palavra
senão o gemido húmido e salgado do tempo:
sempre a lágrima.
(Conceição Sousa)
Expandir
Encontrei mais uma forma de não me sentir só.
Sorrio p'ra ti, sorris p'ra mim,
criamos laços.
O acordo é não esperar que tu sejas o que quero que sejas,
é deixar a vida fluir, é ser como se não estivesses aí,
é ser como se fosse só - e só.
O sol continua a beijar-me nos olhos todas as manhãs,
a lua persiste no esconderijo do manto a carvão
que me pinta as noites por debaixo das pálpebras
com o abraço do até breve no aconchego do cobertor.
E tudo se arrasta, tudo se abraça, tudo se estende
e expande -
se quisermos que se estenda e expanda.
É bom saber que nos temos,
que conversamos,
mesmo nos nossos silêncios -
principalmente nos nossos silêncios.
É bom saber que estás aí
só porque estou aqui.
É bom viver - e só.
(Conceição Sousa)
Sorrio p'ra ti, sorris p'ra mim,
criamos laços.
O acordo é não esperar que tu sejas o que quero que sejas,
é deixar a vida fluir, é ser como se não estivesses aí,
é ser como se fosse só - e só.
O sol continua a beijar-me nos olhos todas as manhãs,
a lua persiste no esconderijo do manto a carvão
que me pinta as noites por debaixo das pálpebras
com o abraço do até breve no aconchego do cobertor.
E tudo se arrasta, tudo se abraça, tudo se estende
e expande -
se quisermos que se estenda e expanda.
É bom saber que nos temos,
que conversamos,
mesmo nos nossos silêncios -
principalmente nos nossos silêncios.
É bom saber que estás aí
só porque estou aqui.
É bom viver - e só.
(Conceição Sousa)
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
resgatar
Quem não tem tempo a perder, vai aos sítios.
Só para se certificar de que, por ali, não é.
Uma vez na vida, acontece o impensável -
e volta-se com a plena certeza de que era mesmo por ali.
Aí, é o tempo que se perde de nós,
deixa de haver segundos, minutos, dias, horas, meses, anos...
e passas a haver tu.
A sensação que tenho é a de que o tempo me engoliu
e devolveu a tua pessoa à existência a dobrar.
Estarei, algures, num sítio que nem eu sei...
e alguém, que não tem tempo a perder, há-de lá ir me resgatar.
(Conceição Sousa)
Só para se certificar de que, por ali, não é.
Uma vez na vida, acontece o impensável -
e volta-se com a plena certeza de que era mesmo por ali.
Aí, é o tempo que se perde de nós,
deixa de haver segundos, minutos, dias, horas, meses, anos...
e passas a haver tu.
A sensação que tenho é a de que o tempo me engoliu
e devolveu a tua pessoa à existência a dobrar.
Estarei, algures, num sítio que nem eu sei...
e alguém, que não tem tempo a perder, há-de lá ir me resgatar.
(Conceição Sousa)
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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Patrulha da neve
E há aquele tipo de gente,
estrelas cadentes,
à procura daquele alumiar,
daquela faísca cintilante
que os devolve à saudade de infinito.
Em cada ser que tocam,
e se demoram,
semeiam a centelha da dádiva,
implantam o rastilho vigilante da luz,
libertam o sorriso da gratidão
e criam elos, um após o outro,
a corrente dos que conhecem o amor.
E há aquele tipo de gente,
meteoros,
pela rapidez com que caem e se despedem ,
sem, no entanto, se entregarem por completo ao pó.
Todos em redor percebem o seu magnetismo,
a sua radioactividade cósmica -
talvez por isso evitem de lhes tocar,
mas contagiam-se de tal forma que nem se apercebem
cristais a amar.
Chamo- nos anjos da guarda ,
a patrulha da neve,
o divino colar.
( Conceição Sousa)
*
( Conceição Sousa)
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