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quarta-feira, 10 de abril de 2013

palmas das mãos

Se hoje aqui estivesses,
entre as palmas das minhas cartas,
beijar-te-ia por todas as hesitações
as rugas de cada senão.

( Conceição Sousa)

História e Filosofia

Dizem que a História não é importante. Dizem que a Filosofia não é importante. Vou fazer um exercício filosófico colocando-me fora deste espaço e desta época. Reparem como o exercício do poder ( seja ele qual for ) é uma doença terminal e infecto - contagiosa, um vírus de proporções cataclísmicas. Deveríamos todos usar máscara anti-ego. Preservar o nosso íntimo da corrupção do estatuto, injectar o nosso âmago diariamente do anonimato necessário à preservação da espécie e do ecossistema.
Todos os problemas actuais se resolveriam com esta dose massiva de humildade existencial. O teu nome até pode ficar na História, pá, mas tu não.

( Conceição Sousa)

chamaste?

Quando me chamaste,
senti vontade em me despir,
e mostrei-te o que não mostro a ninguém: as minhas fragilidades.
E o teu sorriso diz-me que ama a beleza da minha singular entrega.
E o meu beijo celebra a nudez da tua essência,
a verdade da paixão em nos vivermos
disto que somos em não nos sermos.
Quantas camadas de pele nos faltam ainda cair
para que possamos, enfim, nos abraçar?

( Conceição Sousa)

21


Ainda assim, prefiro o 21.
Se é p'ra morrer número,
que seja um ímpar.
Não me perguntem o porquê,
mas sempre me senti ímpar.
E nem posso dizer, por motivos óbvios,
desde a idade da pedra.
Deixo que sejas o 20?


( Conceição Sousa)

mundano

Quando tudo o que é mundano te abandona,
quando tudo o que é da rotina inventada dos homens e das mulheres te deserta,
quando despertas na grandeza milenar do que tão-somente és,
quando a pele se engelha, a dor se manifesta, a gravidade vence
o tónus de cada movimento teu
e o mundo corre mas tu ficas,
quando a voz do que sempre foi, é e será, te grita
ao fundo da verdade,
aí as tuas lágrimas lembram-se de todos quantos sempre te quiseram bem.
E quem são eles?
Aqueles que por estarem sempre tu nunca viste.
E onde estão?
Ao alcance de uma sorridente e grata memória.
Tão imaturas foram as escolhas que fiz...
Estou pronto, agora, para nascer.

(Conceição Sousa)

pretensão?

Não tenho pretensão a nada - nunca tive.
Tenho, sim, algumas dores que quero adormecer ;
tenho, sim, alguns vazios que me sinto a preencher.
E, às vezes, gosto de pensar que te tenho comigo - dedos entrelaçados.

(Conceição Sousa)

a voz

Se queres arder o amor
numa mulher,
namora-lhe o ouvido
e entrega-lhe o teu olhar.
Se o quiseres gelar,
basta que silencies o teu sussurro.
Não gostas do que vês nos olhos dela ?
São os teus a odiar.

( Conceição Sousa)