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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Relativiza

Vive o que a vida te trouxer. Quanto ao resto...relativiza. É mau? O que a vida te traz é mau? Procura, à lupa, aquele buraco, aquela ínfima fissura, por onde te vais fazer o enfiamento de mais um dia feliz. Eu ajudo:
1º O básico que a vida te traz: respiras, e sentes as estações, e escutas o clima, e passeias as tuas vontades em mundos imaginários " A vida é tudo o que eu quiser que ela seja. Na vida, só sinto o que eu quiser que me sinta e fique em mim."
2º Relativizar: sou um entre tantos, e cada um com cada qual, que enfiados num estádio de multidões, e num ciclo de épocas e eras, já ninguém sabe ( nem se lembra!) de quem é quem. E até o ninguém se evapora.
Por isso te digo "Vive o que a vida te trouxer. Relativiza. Ama o mais que puderes. Só o amor te traz vida."

(Conceição Sousa)

Amor?

Amor?
Amor é uma coisa completamente diferente disso,
dessa explosão de sensações obsessivas, caóticas e céleres.
No amor só cabe a ternura.
Quando olhas para o amor, só vês ternura.
Quando escutas o amor, és ternura.
Quando sentes o amor, sorris e choras lentamente...
és sorriso e choro de felicidade,
no silêncio de um estar cúmplice,
que só o tempo e as adversidades...
consentem.
No amor, quando magoas,
dói-te o olhar resignado do outro.
É aí que sabes que amas.

(F)

 (Conceição Sousa)


16 *Acreditar em mim


O mais importante é nunca deixarmos de acreditar na pessoa que somos, e na pessoa que queremos ser.
Podemos, em dado momento, talvez por não estarmos rodeados das melhores pessoas nos seus melhores momentos, vacilar, ponderar algumas das nossas escolhas – isso é humano ( e até desejável!).
Podemos sentir a insegurança a apoderar-se de nós, questionar se os valores, pelos quais sempre nos regemos, são indispensáveis a um ar limpo e respirável; e até perceber, em dado instante, que a flacidez não é propriedade exclusiva da pele, também acontece na alma, também a alma pede flexibilidade – isso é humano.
E algumas das regras precisam mesmo de ser arrancadas do íntimo, porque, se antes serviam, mais à frente no tempo podemos senti-las como forçadas, destoadas da evolução natural das coisas – isso também é humano.
Mas o mais importante mesmo é nunca deixarmos de acreditar na pessoa que somos, e na pessoa que queremos ser, principalmente se essa pessoa é parte activa e fundamental na vida de outras pessoas: o bolo de chocolate que ampara a solidão da vizinha, o bom-dia nas escadas do prédio; o abraço ao nosso doente naquela cama de hospital, e que, por arrasto, se alastra ao doente da cama ao lado; o olhar atento às perguntas silenciosas daquela criança, e o sorriso, sempre o sorriso a dizer “estou aqui.”; a mão estendida e aberta no coração de quem te pede, em pé ou caído, sempre a mão estendida e aberta no coração de quem te pede ( e até de quem não te sabe ou não te consegue pedir, mas mesmo assim pede); a tua existência, a tua voz, o teu olhar, a tua presença, a tua ausência, a tua existência…tão somente isso, a tua existência – com rugas, sem rugas, mais gordo, mais magro, mais falador, mais calado -, a tua simples existência é o suficiente para que a vida de todos quantos te rodeiam, te sabem e te merecem, se sintam mais felizes.
O mais importante mesmo é nunca deixarmos de acreditar na pessoa que somos, e na pessoa que queremos ser. E eu, embora com alguns desvios ( confesso), quero manter-me e ser sempre Amor.

(Conceição Sousa)

toque feminino

- Lá está você. Mas eu não a critico. Há dias fomos jantar a casa de um casal amigo. Aquela casa estava um brinco, asseadíssima. Pensei “ Quem me dera ser assim como ela, tão dedicada à casa.” À mesa, o meu amigo, agora desempregado, comentou que tinha estado o dia todo a limpar a casa. Veja que raciocínio torto o meu. Afinal não foi a minha amiga a responsável pelo brilho do lar, e, garanto-lhe, era um toque feminino.
 

(F)
 (Conceição Sousa)

folha

Ainda te leio...
nas folhas de um outono tranquilo, um rumorejar caído, que guardo na sombra de me teres querido,
de me seres querido.


(F)


( Conceição Sousa)

O mundo cansa

O mundo cansa, é verdade. Nada que uma boa noite de descanso não resolva, pelo menos durante algumas horas. P'ra isso é que Deus criou o escuro - e o silêncio. Imaginem se vivêssemos eternamente às claras. Os surdos não sabem a sorte que têm.

(F)


 (Conceição Sousa)

Guardo-te / I keep you

Guardo-te no espaço que todos querem e ninguém tem. Aquela pausa de diafragma onde morte e vida se tocam num esgar de dor e entrega. Há quem lhe chame felicidade. /
I keep you in that place which everyone wishes but nobody gets. That midriff pause where death and life meet in a grimace of pain and handing over. There are those who call it bliss.


(F)


(Conceição Sousa)