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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

não crescer

Não quero crescer.
Está bom assim.
Gosto deste espaço pequenino,
de ter tempo para aproveitar a minha e esta família.
De ter espaço para saborear cada um dos que nos querem bem,
dos que sentem esta vontade de inspirar a vida
e libertar as palavras num abraço à lareira do contemporâneo,
dos que se beijam na solidão do incompreendido
e se aconchegam num xaile de época,
tecido na malha da saudade e do desdém.
Estou no lado dos carentes e dos que necessitam,
em cada sopro de areia a abandonar as mãos,
do amparo ameno das lágrimas,
do conforto da companhia cúmplice
que nos escuta e encosta a tez na nudez da terra.
Serei feliz se puder não crescer
e sentir-me amada ao amarrar-me, mesmo no fim,
ao odor do solo húmido,
à lama que me cobrirá de chão.

(Conceição Sousa)  *

à lupa

Procura à lupa, vá.
Não tens mais fragilidades p'ra me encontrar?
E em ti? Quantas descobriste?
Deixa-me apontar-te uma, pelo menos uma:

o que fazes aqui?

( Conceição Sousa)    *

creio-te

Acredita: creio-te tanto quanto tu me queres a mim.

(Conceição Sousa)

eclipse

E para que sinta,
nem que por um último eclipse de estar,
o teu abraço a sorrir-me

e o teu toque a me chamar.

So that that I can feel,
even if for a last eclipse of being,
your arms smiling around me
and your touch calling me.

(Conceição Sousa)   *

separar águas

O problema de algumas pessoas que ocupam cargos públicos, e de poder, é não saberem (e não quererem!) separar as águas...podem até ver, a toda a hora e momento, trabalho de excelência mesmo em frente aos seus olhos, pode até lhes ser relembrado, a toda a hora e momento, por uma comunidade inteira que se trata de trabalho de excelência, mas como a pessoa a ocupar o cargo não diferencia a sua própria pessoa da pessoa ao serviço público - e como o trabalho de excelência é imparcial na forma como constrói a sua crítica ao que é-, esse trabalho de excelência é pura e simplesmente "apagado" da agenda desse serviço (público?).

(Conceição Sousa)

senses

Senses is she in the valley of shadows
Touching her bones and mighty deep scars
Aching the pains of the dead in the meadows
Sewing the thread of life up till Mars
Ashes in forests she finds all alone
Home is a concept completely awaken...
Endeavours the spirit of a heart loan
Light and magic are spread and mistaken
Enchantment arises in a full Moon
Neverending stories are coming soon
Characters mischievous enlighten the power
Hosts are considered, in hotels remain
Respectful leaders speak up in the tower
Inflicting confidence the love they sustain
So now she believes, and frightens her pain.

( by Conceição Sousa)

caves of wisdom


In the caves of wisdom
many empty their screams,
in the hollows of passion
some swallow their dreams,
in the deep dumps of sadness
all of them submerge as reborn gods or goddesses,
and none of the witted
sustain unproudly
the scars of the darkened phantoms.
Then the first winds of times
whisper
their glowing miracle,
the mist of the approaching glory
embraces us as the true sign.
And the snow enchants our sin,
sparkles our breasts
in a blanket of white -
right in front of our ravished eyes.
The odor of the chorals
spreads into all our pours,
and the idiom of light,
the print of life,
opens before us
all the meaningful doors.

(by Conceição Sousa)