Há aquele olhar doméstico
no animal que te conta a ternura
da sua fidelidade.
Se não o consegues abandonar
é porque encontraste o amor.
É porque conheces o teu anjo da guarda
pelo nome.
(Conceição Sousa)
Para quem respira... nem que seja um pequeno sopro. Eu ainda respiro logo sonho... Ainda que doa ao doer, doa mais ao doar: doa-te.
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domingo, 12 de maio de 2013
terça-feira, 30 de abril de 2013
cãibra
era a quente o toque
do rosto com a perna
da coxa com a boca,
era a calor o sopro
do silêncio com a língua
do palato com o fumo,
era a ardência o sal
da lágrima com o músculo
do gemido com o suor,
era a infinito o abraço
do inverno com a pele
da flor com o estio
do ventre ao outono
da primavera ao arrepio.
era a que não se diz a perguntar
e o ausente de corpo a responder.
sim, somos, nós.
a cãibra.
(Conceição Sousa)
do rosto com a perna
da coxa com a boca,
era a calor o sopro
do silêncio com a língua
do palato com o fumo,
era a ardência o sal
da lágrima com o músculo
do gemido com o suor,
era a infinito o abraço
do inverno com a pele
da flor com o estio
do ventre ao outono
da primavera ao arrepio.
era a que não se diz a perguntar
e o ausente de corpo a responder.
sim, somos, nós.
a cãibra.
(Conceição Sousa)
casinhas e cowboys
O que tu não sabes
É que estás com ela
Porque te segredei esses passos,
Ao encontro de mim,
Nas letras onde nos pequei.
Decalcavam as pegadas ocas de nós,
Que te tatuei numa jugular protuberante,
Um cio verde num encosto de amante,
O meu fio de maturidade,
Prenhe de ausência de voz,
No silêncio do caminho dessa felicidade: à nossa.
O que tu não sabes
é que sou o teu mais além,
Nesse dia-a-dia de brincar às casinhas e aos cowboys,
Mendigos de afecto nós dois,
Na anuência do beijo ao alcance,
Na paz do que tens de percorrer –
Aquele depois que nada é sem o antes.
Aquele antes que tudo é para o depois.
E que as roupas que lhe despes
São precisas no ritual
De nos vestires o pleno, animal.
O que tu não sabes
É que te amo, sim.
Ouviste bem? Amo-te, sim.
Mais uma década te aparta deste som: amo-te, sim.
Amo-te no teu tempo mais adiante,
O meu de agora.
Um dia hás-de cá chegar p’ra mo dizer, a mim.
Desde já te agradeço, meu amor,
Pois sei que mo dirás de coração
“amo-te”,
A esta que te ficou tão só e apenas na mão, perdão.
(Conceição Sousa)
É que estás com ela
Porque te segredei esses passos,
Ao encontro de mim,
Nas letras onde nos pequei.
Decalcavam as pegadas ocas de nós,
Que te tatuei numa jugular protuberante,
Um cio verde num encosto de amante,
O meu fio de maturidade,
Prenhe de ausência de voz,
No silêncio do caminho dessa felicidade: à nossa.
O que tu não sabes
é que sou o teu mais além,
Nesse dia-a-dia de brincar às casinhas e aos cowboys,
Mendigos de afecto nós dois,
Na anuência do beijo ao alcance,
Na paz do que tens de percorrer –
Aquele depois que nada é sem o antes.
Aquele antes que tudo é para o depois.
E que as roupas que lhe despes
São precisas no ritual
De nos vestires o pleno, animal.
O que tu não sabes
É que te amo, sim.
Ouviste bem? Amo-te, sim.
Mais uma década te aparta deste som: amo-te, sim.
Amo-te no teu tempo mais adiante,
O meu de agora.
Um dia hás-de cá chegar p’ra mo dizer, a mim.
Desde já te agradeço, meu amor,
Pois sei que mo dirás de coração
“amo-te”,
A esta que te ficou tão só e apenas na mão, perdão.
(Conceição Sousa)
outros
Não podes impedir os outros
de construirem uma representação do que tu és -
à sua imagem e semelhança, claro.
Mas podes fazer do teu dia-a-dia uma viagem só tua,
deliciosa e bela,
e viver com os astros que te aquecem as manhãs
e te deitam num sono simples e desprendido de tudo:
até de ti.
(Conceição Sousa)
de construirem uma representação do que tu és -
à sua imagem e semelhança, claro.
Mas podes fazer do teu dia-a-dia uma viagem só tua,
deliciosa e bela,
e viver com os astros que te aquecem as manhãs
e te deitam num sono simples e desprendido de tudo:
até de ti.
(Conceição Sousa)
batalhas
Há batalhas, na vida,
onde te sentes dos dois lados:
ora o combatente ora o resistente.
Às vezes, decides dar-te um longo período de tréguas.
A batalha está lá,
continua a ferro e fogo,
mas o teu corpo deserta e a tua alma sonega.
Até que um dia dás por ti
a pousar o escudo e a espada
e abraças o suor do guerreiro e o sangue da armada.
Se é p'ra doer sempre, que seja.
(Conceição Sousa)
onde te sentes dos dois lados:
ora o combatente ora o resistente.
Às vezes, decides dar-te um longo período de tréguas.
A batalha está lá,
continua a ferro e fogo,
mas o teu corpo deserta e a tua alma sonega.
Até que um dia dás por ti
a pousar o escudo e a espada
e abraças o suor do guerreiro e o sangue da armada.
Se é p'ra doer sempre, que seja.
(Conceição Sousa)
na rua
Hoje passei por ti na rua - ou pelo meu desejo de que fosses tu
( acontece-nos demasiadas auroras, sabes? )
Havias de sentir a loucura
neste meu coração
quando a Terra de repente muda de epicentro:
pum-pum-Pum-Pum-pum-pum-Pum-Pum.
As pernas a tremer em réplicas de um amor que, quando o noticio destroçado,
acha-se com direito a resposta:
não, ainda não acabámos, muito pelo contrário.
Quero muito que me comeces.
Eras tu
e eu quis beijar-te.
( Conceição Sousa)
( acontece-nos demasiadas auroras, sabes? )
Havias de sentir a loucura
neste meu coração
quando a Terra de repente muda de epicentro:
pum-pum-Pum-Pum-pum-pum-Pum-Pum.
As pernas a tremer em réplicas de um amor que, quando o noticio destroçado,
acha-se com direito a resposta:
não, ainda não acabámos, muito pelo contrário.
Quero muito que me comeces.
Eras tu
e eu quis beijar-te.
( Conceição Sousa)
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