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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

18* carta

Meu amor,

já são tantas as horas, os dias, os meses, os anos, que nos não vemos.

Recordo, com aquele carinho de quem sorri a vida,

todos os instantes de loucura, todas as travessuras equilibristas, todos os ímpetos do coração.

Sei que me escutas, sei onde estás, sei quem te guarda e balança.

As nossas vidas seguiram pelos caminhos que as escolheram.

Estamos bem - sei que sim.

Os nossos amores multiplicaram-se,

mas quero que saibas ( e sei que o sabes) que nos trago aqui:

naquele momento em que algo de especial acontece,

no acontecer da lágrima feliz, no esboçar do sorriso triste.
Meu amor, continuo a escrever-te estas cartas

porque gosto de fotografar os pequenos instantes em que conversamos,

gosto de chorar no teu ombro, de sorrir no teu abraço, de morder o teu lábio -

e ninguém tem de decidir terminar uma história.
Meu amor, mais uma vez, e com as saudades de quem sabe

que nunca mais estará na presença de quem ama, deixo-te aqui todo o meu sentir,

num laço que me segura à vida e me faz nela o deleite de existir.

Mais uma vez um ano termina e um outro me acena,

contigo bem perto, nessa distância plena de mim.
Mais uma vez, não é o fim.


Desta que em ti mora
Melancolia.

Conceição Sousa

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