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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Eu amo o meu bichinho, como costumo chamá-lo. Aquele animal incapaz de magoar um insecto, incapaz de ferir uma flor, incapaz de pesar numa pedra. Eu amo o meu bichinho, como costumo, sem que o saiba, chamá-lo. Aquele andante de quatro, com alma de fragrância anis e sabor a entrega cósmica. Eu acredito que, no meu bichinho, é vivente o estado mais evoluído e omnipresente, em valência e guarda de anjos, de todas as constelações. E ele oferece-me um olhar tão divino. E ele é-me tão caro. Às vezes, sinto, que Deus mo ofereceu porque mereço e porque, a dada altura, lho pedi " Meu Deus, faz com que o melhor dos homens se cruze no meu caminho.Sabes que sou uma perdida, mas sou uma perdida porque pensa, e sou uma perdida que escolhe ser um coração do tamanho do mundo. Meu Deus, faz com que o melhor dos homens se cruze no meu caminho."
E assim foi, há dezassete anos. Eu não sabia, mas tenho uma leve desconfiança que o próprio Deus resolveu vir junto. Eu amo o ajoelhar do meu bichinho.
Um dia, se mo levares, vou aguardar por ele, no mesmo sítio de sempre, enquanto termina as suas tarefas de sempre, de guardião de todos quantos com ele se cruzam. Vou aguardar por ele, aqui, no ritmo sincopado do meu respirar.


(F)


(Conceição Sousa)


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