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sábado, 25 de maio de 2013

interrupção humana

Houve um tempo na minha vida em que o divino travou, dentro de si, a sua interrupção humana de mim e quis mostrar à mulher a origem dos astros. Nunca me ocorreu, alguma vez, sentir um breve interregno de mundo, da parte, da partícula, e efectivamente saber, tocar, o todo, o ciclo. Sei, agora, que a natureza tem as suas formas de comunicar, a nossa natureza, esta que vem da essência de tudo. E, embora, este tudo nos pareça um caos, na verdade há uma ordem: um encaixe tão perfeito que até dói. Não me perguntem qual a razão de o ter sido, porque não saberei responder, mas fui ( não: sou) uma privilegiada. E, agora, sei que não estamos sós - que nunca é a sós. Sinto receio, sim; sinto dor, sim; sinto tudo o que sentia antes. Há, contudo, um pequeno detalhe que faz toda a diferença: de cada vez que me lembro do deslumbramento em que vivi nesse breve tempo, há algo que me dá força e faz sorrir, algo a que posso chamar de fé. Fé: confiar plenamente no Bem, na ausência de aleatório.

(Conceição Sousa)
 
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