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domingo, 26 de maio de 2013

Lembra-te de como era

Lembra-te, lembra-te de como era no início...
lembra-te de como era quando não éramos vício,
lembra-te de como era quando nos entregávamos às palavras directas,
quando nos digladiávamos na berma do precipício,
quando nem sequer nos sabíamos tão próximos
e confrontávamos as nossas vivências como meros e desprendidos desconhecidos.
Lembra-te de como eram prenhes de estar aqueles diálogos escorridos ...de tons e cores e chama e sabores,
sem saber que o eram.
Lembra-te da ingenuidade com que nos vivíamos,
tão doces instantes de tudo,
a inocência de dois círculos que se tocam no perímetro,
beijam-se no perímetro,
e não se invadem com diâmetros e raios
e outras medições parvas de egos e circunstâncias incomparáveis.
Lembra-te de como te amava e tu a mim...
e eram tantas as palavras.
De repente, aconteceu:
o eixo magnético rodou,
a gravidade despenhou-se sobre nós,
o alerta consciente de que aquilo poderia ser amor...
e deixou de ser inocente, deixou de ser ingénuo,
fugimos, cobardes, de nós, do nosso delicioso instante.
Os círculos recuaram e ficou um imenso vazio, um imenso silêncio, uma imensa dor, um ininterrupto falar que dói, amor.
E é isto que somos: um ininterrupto silêncio que fala e dói, amor.
A melhor parte disto tudo é que ainda somos.
E, sim, não há como negar: é Amor - só porque não é outra coisa qualquer.
( E só porque eu insisto que continue a ser, será.)

(Conceição Sousa)
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