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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Saí, de fininho

Saí, de fininho, como querias.
Da forma discreta que entrei,
na mesma forma discreta me ausentei,
mas não sem antes ouvir uns desaforos
(já o sabia),
não sem antes fazeres de mim uma louca coitada
(bem o previra),
não sem antes te defenderes do teu amor por mim
na cobardia de quem se esconde da vida ( a de verdade)
e teme com suores e calafrios a adrenalina do instante eterno
 ( o instinto avisara-me),
não sem antes respirares de alívio nas costas de quem te cede
(um sorriso calculado),
não sem antes te vangloriares aos sete ventos
da tua arte de sedutor
( não te preocupes, não conto a ninguém que és um pinga-amor),
não sem antes...
Saí, sim, de fininho ( já o sabia),
da mesma forma que entrei,
mas tu e eu sabemos
( embora p'ra ti mesmo o negues),
fiquei. Ai!, que medo!
Porque é que confundem sempre os mais lúcidos equilibristas com loucos?
O que não sabias, e digo-te agora, é que entrei e saí de fininho
por amor a ti, ao teu estar,
quis fazer-te ver o meu amar
e tornar-te assim uma pessoa melhor:
perdi-te p'ra mim,
mas ganhei-te p'ra ti.
E este é o meu ângulo. Sorri.

(Conceição Sousa)


*

2 comentários:

  1. Gostei muito Lindo e com muita exopressão. Leio-a sempre com muio interesse e quero dizer-lhe que a vou seguindo sempre, também no face. Parabéns, escreve com muito expressividade e muita interioridade.

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  2. Lindo poema. Gostei muito. Te fazer elogios não me cansa...tua poesia na certa muda a vida de muitos pra melhor. Abraços.

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